Alporque. Como fazer alporquia

alporque como fazer alporquia bonsai

28/08/2015 • Cultivo • Acessos: 1389

Alporquia é um método de reprodução assexuada de plantas, provocando o aparecimento de raízes adventícias (raízes secundárias que nascem nos caules/ramos ou nas folhas) num ramo de uma planta já enraizada. Veja abaixo como fazer alporquia.

Materiais necessários para fazer alporquia:

  • Balde com água,
  • enraizador,
  • canivete ou estilete,
  • isqueiro,
  • um pedaço de plástico de polipropileno,
  • cordão de algodão.
  • sfagno

O sfagno (Sphagnum) é o único gênero da família Sphagnaceae, que por sua vez é a única família da ordem Sphagnales que, por fim, apresenta-se como a única ordem da suclasse Sphagnidae. Este gênero agrupa cerca de 200 espécies em todo o mundo, podendo ser desde a cor verde até a marron, passando pelo vermelho.

Seus substitutos podem ser areia, turfa, casca de arroz carbonizada ou fibra de coco.

Antes de usar a fibra de coco é preciso deixar de molho na água e trocar esta várias vezes para a retirada das substâncias que podem prejudicar as mudas.

O enraizador é uma substância que é produzida pela própria planta, na quantidade que necessita. Colocamos um enraizador sintetizado para apressar o enraizamento do ramo.

Seus nomes: ácido indol-acético, ácido indol-butírico e podem ser adquirido em lojas especializadas, como agropecuárias. Vem na forma de líquido, pó, gel.

Para quem tem pouca prática o melhor é em gel. Quando em pó recomendamos sua mistura com lanolina em pasta para tornar mais fácil sua colocação no alporque sem desperdícios do material. Para enraizadores líquidos e gel recomendamos um pincel pequeno.

Melhor época para fazer a alporquia

Aguardar a época de primavera e verão, quando a planta estará desenvolvendo a parte vegetativa.

O inverno dos estados do sul é muito frio, muitas das plantas entram em dormência, com a seiva circulando de forma mais lenta e a formação de raízes poderá não ocorrer. No restante do país o melhor momento para fazer alporquia é na estação das chuvas.

Escolha do ramo para alporque

Escolha a planta matriz para fazer o alporque. Deve ser saudável, ter ramos bem formados e produzir flores e/ou frutos de boa qualidade.

como fazer alporquia

A árvore deve estar saudável, não pode ter insetos, como por exemplo, pulgões, cochonilhas e brocas. Caso seja constatada a presença destes, será preciso antes tratar a planta para sua eliminação;

Selecione o ramo para alporque, que deverá ter bom formato, com bom número de ramos pequenos bem distribuídos. Não usar o ramo principal, isto é, o ramo mais ao centro da muda, que tem a maior altura, isto irá prejudicar muitíssimo a muda cultivada. Iniciar o alporque a uns 30 cm da união do ramo ao tronco da planta matriz.

Preparo do sfagno

Como dissemos acima, o sfagno nada mais é do que um estrato vegetal que acumulará a umidade em torno do galho, para que se estimule o aparecimento de raízes no local desejado para o alporque.

sfagno bonsai preparo

Colocar o sfagno no balde com água, numa quantidade necessária que deverá cobrir toda a volta do ramo.

Esperar alguns minutos para que fique bem encharcado. Depois apertar para retirar o excesso de água, ficando apenas úmido.

Materiais substitutos como o coxim, areia ou casca de arroz carbonizada deverão ser bem umedecidos, mas sem que fique escorrendo água. Colocar sobre um papel ou peneira antes de usar.

Corte no galho

Passe o canivete, estilete ou faca afiada no isqueiro aceso para esterilizar a lâmina.

alporquia cortando a casca

Com o lado afiado começar o alporque, retirando a casca do ramo, a uns 30 cm de sua inserção no caule. Não aprofundar o corte, retirar somente a parte esverdeada da casca, descobrindo o câmbio.

Ramos lenhosos com 1,0 a 1,5 cm de diâmetro devem ter cerca de 2 cm de retirada da casca, mas ramos mais finos também podem ser utilizados com a mesma medida.

alporquia passando o enraizador no galho

Passe o enraizador

Passar o enraizador na parte mais afastada da planta-mãe. Isto é, colocar o material no corte do lado do ramo que será retirado( pois a parte que interessa enraizar é a do ramo).

Uma excelente dica é mergular o sfagno numa solução enraizadora, também tem ótimos resultados e tem funcionado muito bem.

Proteja o galho com o sfagno

cobrindo a alporquia com sfagno

Com o sfagno levemente umedecido, posicione a fibra ao redor do anel do ramo que você cortou com a faca ou canivete, cobrindo todo o espaço com folga, não precisa compactar demais, caso contrário as raízes terão dificuldades em brotar do galho.

Como dissemos acima, o sfagno pode ser umedecido em solução enraizadora.

Protega a alporquia envolvendo com um plástico

Enrolar ao redor um pedaço de plástico, que poderá ser plástico tipo filme de cozinha ou qualquer outro desde que seja fino e flexível. Fica com aspecto de um bombom. Prender as pontas com cordão.

alporquia pronta

A ponta mais junto do ramo deverá ficar mais solta para introduzir água periodicamente

Tanto o sfagno como o coxim são fáceis de manusear, mas a turfa, areia ou casca de arroz carbonizada são soltos, talvez seja conveniente pedir auxílio para outra pessoa na hora de colocar o material e o plástico com o cordão.

Aguardar. Em torno de 70 a 100 dias, conforme o tipo de planta e o clima do local, haverá produção de raízes. Fazer uma inspeção com 70 ou 90 dias, observando como estão, abrir cuidadosamente o embrulho e verificar o estado do alporque.

O transplante do alporque para um vaso

Para que a muda sobreviva depois de retirada da planta matriz, as raízes deverão estar fortes e capazes de captar os nutrientes do substrato. Se ainda estiverem incipientes, umedecer o sfagno e cobrir novamente, aguardando mais alguns dias.

Quando as raízes do alporque estiverem fortes, serrar o ramo e plantar em vaso

Quando estiverem da forma correta desejada serrar o ramo do lado da matriz. Plantar em recipiente de tamanho médio a grande de plástico ou cimento, em substrato apropriado para a planta propagada;

Após o corte, a ferida no ramo da planta matriz deverá ser coberta, evitando assim um ataque de brocas e doenças. Você pode usar pasta cicatrizante própria para bonsai ou usar canela em pó, que é usada para receitas culinárias. Ela é bactericida e vedará os poros, pois a seiva úmida grudará bem o pó.

Não faça muitos alporques numa mesma planta

Não se deve fazer demasiados alporques na mesma planta, lembrar que esta perderá uma parte da sua copa, reduzindo sua área de produção de fotossíntese. Adubar bem a planta matriz antes e depois da retirada do alporque, assim não será prejudicada. Controlar a incidência de insetos, a muda estará sensível a qualquer ataque.

O resultado é que terá uma planta que poderá produzir flores ou frutos, no caso de ser uma frutífera, na mesma época da planta matriz, com a mesma qualidade desta. Seu tamanho será menor, pois trata-se de um ramo.

As antigas mudas de frutíferas de pé-franco, isto é, oriundas de sementes, poderão levar muitos anos para frutificar e ficam muitas vezes de grande porte, inviabilizando sua colocação em pátios pequenos.

Alporquia em plantas de enxerto

Esta técnica poderá ser feita também em plantas de enxerto, mas devemos atentar para algumas características das plantas a propagar. Em algumas frutíferas como os citros e também em pessegueiros e roseiras conforme a região de produção, costuma haver problemas com patógenos que estão no solo, ocasionando diversas doenças.

Por isto, são usados porta-enxertos resistentes a estas doenças. O alporque elaborado terá as raízes sensíveis da planta mãe.

Muitas vezes também o enxerto é feito em mudas de ótima qualidade, mas que têm pouca capacidade de nutrição pelas suas raízes, o que o porta-enxerto poderá suprir com maior eficiência.

Ocorre muito em roseiras, cujo porta-enxerto feito de roseira-silvestre tem grande poder de extração de nutrientes do solo, sendo também resistente para a maioria dos patógenos de solo que causam doenças nas mudas.

Se o enxerto foi feito para diminuir seu tamanho, não haverá problemas. O tipo de substrato deverá então ser cuidadosamente montado, evitando solos contaminados.

Texto escrito por Eng. Agr. Míriam Stumpf

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